O que fiz dos meus amores? Onde estão as minhas amadas? Por que sofro, ou estou sozinho? Amei muito sem resposta. Sempre disse dar sem ver a quem, e hoje colho esse ninguém. Culpa minha, preço justo, é a paga minha.
A dissecação dos amores deve ser uma disciplina da medicina filosófica, cátedra que ensina aos alunos como identificar as partes interiores que constituem os amores. Perdi essa disciplina, não fiz o curso, nem cursei a matéria. Sou, portanto, um leigo no assunto. Ou devo dizer que sou mais um dos bilhões que habitam essa terra e que não entendem nada de amores?
Estranho sermos todos amadores, istó é, não profissionais, quando o assunto é amores. Amamos sem ter instrução e nem carteira de habilitação para amar. É por isso que todos cometemos tantas barbeiragens quando nos envolvemos numa relação amorosa. O que mais poderia se esperar de quem se envolve naquilo que não entende?
Que essa vida é feita de quereres não resta a menor dúvida. O verbo já indica falta, quem quer busca suprir algo que não tem. Talvez seja mais apropriado dizer que essa vida é feita de carências. Sejam elas do tipo que forem, nesse caso, falo das afetivas.
Embora isso seja discutível e relativo, dou como exemplo, nós, os homens, que damos importância a coisas que entendemos vitais: sexo, para citar uma forte. Já as mulheres acham que o chocolate é mais importante que o sexo.
Só não sei se o puro ou com castanhas. Nuguets?
Porque nessa vida há uma necessidade de se mesurar tudo, criamos no amar gradações. Amar já não é - ou nunca foi? - uma grandeza oito ou oitenta. Não se pode afirmar num cabal amo ou desamo, pois há diferentes níveis de amor, ou diferentes tipos de amor. Começando pelo amor fraternal, passando pelo amor esposal e chegando até ao amor divinal. Já não basta dizer te amo, é preciso qualificar esse amor.
Eu te amo - com um amor de irmão - um amor fraternal. Assim, amo, mas não amo. Não me entenda mal, nem se confunda, que irmão se ama, mas não na classe dos amores carnais. Falei carnais? Plural? Exato, porque até nesses amores dos amantes há gradações gerais. Eu te amo como um esposo ama sua fiel amada - num amor contido como soem ser esses amores decenais. Ou eu te amo como se ama a uma amante nova - na idade e no amor! com paixão e com tesão, demais!
Assim, ame, mas ame assim ou ame assado. Ame com jeito, ame com modo, ame com intensidade, principalmente, ame um amor qualificado.
E a humanidade segue afirmando que as atitudes que fazem perder a humanidade não fazem perder a humanidade. Como se negar a catástrofe fosse uma maneira válida de evitar que ela fosse uma catástrofe. Os casais (?) resolveram que a figura da mulher, da mãe era dispensável. Uma lógica que envolve matemática, numa prova que dez minutos de qualidade é mais importante do que 24 horas péssimas.
Depois se resolveu que os casais não eram importantes para o desenvolvimento dos filhos. Era preferível descasar, porque os filhos não conviveriam com casais problemáticos, então melhor não ter casais problemas. Filhos de pais separados são mais saudáveis, claro! Quem duvida disso? São mais independentes, melhor resolvidos em tudo, claro!
A culpa de tudo é dos homens! O homem ideal é uma mulher. Ou seja, no fundo toda mulher é uma lésbica, seu principe encantado é uma princesa. Quer saber? Está tudo errado!
Anos carregam vidas
São plenos de tempos
Vividos, sentidos
Para serem lembrados
Descartados, esquecidos
Anos são feras vorazes
Engolem horas e dias
Resta história, rastros
De sangue, memórias
Dessas lutas inglórias
Pra chegar no amanhã
Anos marcam as caras
Ferindo as peles
Dos Josés e das Glórias
Reafirmando pra todos
Sua sede infinita
Dos filhos de Deus
Anos são nossos algozes
Devorando as belezas
Com tenazes ferozes
Consumindo incessantes
Os amados, os amores
Deixando só o pó.
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Copyright 2006 - Ronaldo Souza
Quando tudo tiver sido, quando nada mais fizer sentido, que comigo fique a Rosa. Quando a noite virar dia, quando um grito de agonia clamar na imensidão, que eu lembre da Rosa. Quando não nascerem mais crianças, acabarem as esperanças, num mundo dividido, que fique o perfume da Rosa. Quando acabar todo o perdão, e o amor não mais vivido, no parar do coração, eu leve comigo a saudade da Rosa. - Copyright 2006 - Ronaldo Souza
Meu amor bailemos. Bailemos como bailam as estrelas nas noites sem lua. Bailemos, meu amor, bailemos, como as luzes da cidade bailam com encantamento e magia. Bailemos, meu amor, bailemos, dançar move mais que dois corpos, move almas, num mover que acalma, e serena a paisagem ao nos ver bailar. Segue meu amor, acompanha a melodia, que viver é bailar, é fantasia, é navegar ao ritmo da noite, nesse andar que é quase flutuar. Bailemos nesse sonho encantado, bailemos num abraço apertado, que logo, logo, virá o raiar de um novo dia. Bailemos, meu amor, que viver é perpassar o tempo e o espaço com passos ritmados a bailar.
Pra não errar é que não digo, evito ser imperativo, nesse meu dizer de amar! Digo ame, discordando das gramáticas, com sua forma errática e imperativa de amar. Nem amo eu, menos você, que amar é sentimento, de quem vive em liberdade, e faz só o que o coração mandar.
Digo ame, um dizer livre, num amar que é oferta, e que é dado só por dar. Um sentir assim confesso, de alguém que está possesso, com a alma mais que cheia, de um enorme bem querer. Dito livre, dito fácil, que sai do espírito, vem, emana, faz a vida mais bacana, e faz melhor o meu viver.
Amo livre, amo forte, amo e sei que a minha sorte é amar sem ter consorte, dar amor pelo amor. Amo o feio, o bonito, amo o dia e as estrêlas, e verto lágrimas só de vê-las, lá no céu a me encantar. Amo agora, e o passado, amarei lá no futuro, pois sei que só é feliz, quem mais amar e mais amar.
Copyright 2006 - Ronaldo Souza
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Com este post eu abri o Ame aqui no Blogsome, com este mesmo post eu o retomo depois de um tempo afastado. Saudades de escrever, saudades da poesia. Saudades dos meus versos. Saudades eu vim devolver…

